Por Ricardo Pettená
O conceito de “segurança” no mundo do paraquedismo é, muitas vezes, banalizado. Muitos acreditam estar agindo de maneira segura simplesmente porque não enfrentaram um incidente grave até o momento. No entanto, escondidos nas sombras de saltos, competições, cursos ASL e AFF e até mesmo nos saltos fun, residem perigos insidiosos que muitos tendem a negligenciar. Estes riscos são armadilhas ocultas chamadas de “condições latentes” – lacunas na proteção – ilustradas pelos burados nas fatias da teoria do queijo suíço, estando constantemente à espreita, algumas vezes mais perto do que se imagina.

A ausência de acidentes, ativações de reserva ou incidentes menores não é indicativo de que uma atividade foi segura. Para muitos organizadores, situações de “quase” incidentes são irrelevantes, afinal, “foi por pouco” e ninguém precisou ser levado ao hospital. Contudo, do ponto de vista estatístico, esses “quases” podem indicar uma tendência e revelar que a situação não foi tão segura quanto proclamada.
É crucial não nos tornarmos complacentes em ambientes onde “nada acontece”. As armadilhas estão ocultas em cada atividade, área, escola e evento. Devemos sempre lembrar que, mesmo na aparente tranquilidade, uma ameaça pode estar aguardando na próxima “esquina”, pronta para nos surpreender. A segurança, no verdadeiro sentido da palavra, exige uma vigilância constante e um entendimento profundo dos riscos envolvidos.

É imperativo que escolas, clubes, federações e organizadores de eventos adotem uma abordagem proativa em relação à segurança no paraquedismo. Realizar análises de risco meticulosas e desenvolver estratégias para mitigar potenciais perigos são passos fundamentais para garantir um ambiente mais seguro para todos os envolvidos. Ao se antecipar a possíveis ameaças e estabelecer medidas preventivas, a eficácia da prevenção de acidentes é significativamente aumentada.
Além de servir como um mecanismo de prevenção, a análise de risco e a subsequente criação de um plano de segurança ou um SGS – Sistema de Gestão da Segurança – têm outros benefícios significativos. Por um lado, evidenciam um compromisso da organização com a segurança, o que pode ser uma poderosa ferramenta de marketing. Demonstrando aos paraquedistas, novatos e veteranos, que a entidade está seriamente comprometida com seu bem-estar, pode-se atrair mais participantes e ganhar a confiança da comunidade.

Além disso, ter um plano de segurança bem estruturado pode servir como uma linha de defesa em face de litígios. No infeliz evento de um acidente, possuir documentação que comprove uma abordagem proativa e sistemática para a segurança pode ser crucial na defesa de uma organização perante a justiça.
Portanto, é uma questão tanto de responsabilidade quanto de prudência que todas as partes interessadas no mundo do paraquedismo adotem medidas rigorosas de análise e mitigação de riscos, elevando assim o padrão de segurança em toda a indústria.
