53 Anos de Gratidão: Celebrando o Compromisso com a Segurança e a Excelência no Paraquedismo

53 Anos de Gratidão: Celebrando o Compromisso com a Segurança e a Excelência no Paraquedismo

Ontem, dia 12 de dezembro, comemorei 53 anos desde meu primeiro salto de paraquedas. Quero começar este texto expressando minha mais profunda gratidão. Gratidão ao paraquedismo, que transformou minha vida; às pessoas incríveis que conheci nessa longa jornada; e a todos que, de alguma forma, contribuíram para que eu pudesse aprender, crescer e viver tantas experiências inesquecíveis.
Olhar para trás e lembrar de tudo o que vivi no esporte é emocionante. Desde aquele primeiro salto em 1971, aos 13 anos, o paraquedismo não foi apenas uma atividade; ele se tornou meu propósito, meu trabalho, minha paixão e o meu meio de construir conexões com pessoas extraordinárias. Cada salto foi uma lição, cada aluno uma troca, e cada momento, um presente.

Primeiro salto no dia 12 de dezembro de 1971, em Campinas

Uma Jornada de Amigos, Aprendizados e Contribuições
Ao longo dessas cinco décadas, tive o privilégio de vivenciar o paraquedismo de várias formas: como atleta, instrutor, organizador e líder. Cada salto, recorde e cada turma de alunos que treinei contribuíram para a pessoa que sou hoje.
Entre as memórias mais marcantes estão os recordes mundiais de grandes formações, como o 282-way na Tailândia e o 300-way nos EUA, onde não só participei, mas também atuei como load organizer (LO), capitão de setor e de aeronave. No 300-way, tive o privilégio de ser um dos elaboradores do evento, ao lado de Carmen, Dan BC e Jack Gregory, campeões mundiais pelo Airspeed. Esses momentos foram muito mais do que conquistas esportivas; foram experiências que mostraram o poder do trabalho em equipe e da dedicação coletiva.

300-way no Arizona. Evento idealizado por Carmem e Ricardo Pettená e realizado junto com o time Arizona Airspeed


Além dos recordes, conquistei mais de 20 vitórias em campeonatos nacionais e internacionais, torneios e competições ao longo da minha trajetória. Cada uma delas representou não apenas um reconhecimento técnico, mas também a celebração de um trabalho árduo e o prazer de competir lado a lado com grandes atletas.
Tive também a alegria de contribuir diretamente para o avanço técnico do paraquedismo, trazendo inovações que ajudaram a moldar o esporte no Brasil e no mundo:
• Introdução do curso AFF (Accelerated Free Fall) no Brasil em 1982 junto com Marcos Pettená e Antonio Raposo: Um divisor de águas na formação de alunos, permitindo um treinamento mais eficiente e seguro.
• Transição para velames retangulares no lançamento de alunos: Uma mudança que aumentou significativamente a segurança nos pousos, transformando os padrões de ensino no país.
• Criação do método BBF (Basic Body Flight): Desenvolvido junto com meu sócio Rob Laidlaw, esse método é hoje aplicado em escolas ao redor do mundo, ajudando paraquedistas a dominar o voo corporal básico com excelência técnica.
• Introdução do CFE (Curso de Formação de Examinadores) no Brasil: Antecipando-se à regulamentação da CBPq, esse programa ajudou a preparar instrutores com os mais altos padrões internacionais.
Essas contribuições não foram apenas inovações técnicas; elas representaram uma busca constante por melhorar o esporte, tornando-o mais seguro, acessível e alinhado às melhores práticas globais.

Primeiro AFF com aluna de primeiro salto no Brasil em 1982 (1- Betão, 2- Renato Aranha, 3- Luisa Raposo, 4- Raposo, 5- Ricardo Pettená (instrutor), 7- Marcos Pettená (instrutor).

Segurança: A Essência do Paraquedismo
Mais do que um esporte, o paraquedismo para mim é uma responsabilidade. Sempre acreditei que voar é um privilégio, mas voar com segurança é um compromisso. Durante meu tempo à frente do Comitê de Instrução e Segurança (CIS) da CBPq, pude implementar programas e treinamentos que ajudaram a transformar a maneira como encaramos a segurança no Brasil.
Um dos marcos mais significativos foi atingir zero acidentes fatais em 2014, e a repetição de um ano sem acidentes em 2024, mas a busca por um esporte mais seguro nunca termina. Continuo estudando, analisando acidentes quase diariamente para entender suas causas e, principalmente, divulgar formas de evitar que eles se repitam.

Estudo Constante e Atualização
Apesar de ter acumulado uma longa bagagem ao longo dos anos, nunca deixei de estudar e transmitir o ensinamentos. O paraquedismo está em constante evolução, e me mantenho atualizado sobre inovações técnicas, equipamentos e metodologias. Tudo o que aprendo incorporo aos cursos que desenvolvo, garantindo que minhas aulas e treinamentos estejam alinhados aos mais altos padrões do esporte.
Os artigos e métodos de treinamento que produzo são amplamente utilizados por escolas dentro e fora do Brasil, e isso é algo que me dá imensa alegria. Saber que meu trabalho ajuda outros a crescerem no esporte, com mais segurança e técnica, é um dos maiores reconhecimentos que posso receber.

Olhando para o Futuro
Enquanto celebro esses 53 anos, também olho para o futuro com entusiasmo. Em junho de 2025, o paraquedismo sulamericano viverá um momento histórico: o Recorde Sulamericano de Grandes Formações, que acontecerá na Skydive Paraclete XP, na Carolina do Norte. Serão 120 paraquedistas de toda a América Latina, reunidos para mostrar ao mundo a força, a técnica e a união da nossa comunidade.
Esse evento não é apenas sobre números; é uma celebração da nossa capacidade de trabalhar juntos, evoluir e alcançar feitos extraordinários.

Agradecimento à Comunidade
Se cheguei até aqui, foi porque nunca caminhei sozinho. A cada teammate, instrutor, aluno, colega e amigo que fez parte dessa jornada: muito obrigado. Vocês são a razão pela qual continuo buscando aprender e ensinar, evoluir e compartilhar.
O paraquedismo me deu muito mais do que eu poderia imaginar: aprendizado, desafios e, principalmente, amizades que levo para a vida. Esse esporte me transformou e continua me inspirando todos os dias.
Vamos continuar voando juntos, aprendendo juntos e construindo o futuro do paraquedismo. Muito obrigado por fazerem parte dessa história.


Ricardo Pettená
53 anos de dedicação ao paraquedismo.

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