O Fantasma do Paraquedista Alberto

Me lembrei de uma história que aconteceu há muito tempo. Foi nesta época do ano porque a atividade de salto foi no mês de outubro, mas não lembro de que ano.
Naquele tempo nós saltávamos de paraquedas sem os protocolos que existem hoje. Não haviam exigências de documentação e cada um cuidava de si. Claro que nos preocupavámos uns com os outros, porém era tudo feito de  forma muito amadora.
Certa vez, um paraquedista chamado Alberto que saltava conosco esporadicamente, decolou junto com mais  três paraquedistas para fazer um salto solo a 7.000 pés. Havia um Cb se aproximando. O Cb é uma formação carregada de energia e tem a capacidade de virar uma tempestade perigosa. O avião fez a primeira reta a 6.000 pés e lançou três paraquedistas. Só o Alberto ficou à bordo para ser lançado na segunda reta a 7.000 pés. O piloto ainda o advertiu sobre a tempestade, mas o Alberto quis saltar de qualquer jeito. Ele fez uma queda-livre curta e abriu alto. O Cb que agora estava bem próximo da área o sugou para dentro e o Alberto desapareceu no meio da nuvem. Choveu e ventou muito sobre o aeroporto. Logo após a chuva, formamos um grupo de resgate para procurar o Alberto. Como era a última decolagem do dia, o grupo procurou o Alberto durante a noite toda.
Na esperança que ele tivesse sido encontrado por alguma pessoa não ligada ao paraquedismo, os paraquedistas que não eram muitos naquela época aguardaram durante todo o dia seguinte na área de salto. No final desse dia que era um domingo, cada um se dirigiu para a sua casa e como não havia um responsável pela atividade, o Alberto ficou desaparecido e ninguém reportou para a polícia. Ninguém sabia nada sobre o Alberto, onde ele trabalhava, se tinha familiares ou onde ele morava.
Na semana seguinte não houve atividade de salto, e Alberto acabou sendo esquecido. Já que nenhum familiar o havia procurado, todos concordaram que seria mais prudente silenciar sobre o acontecimento para evitar mais problemas.
Muito tempo depois, numa noite bem escura, sem lua, um vulto sinistro foi visto no alvo de pouso arrastando o paraquedas procurando voltar para área dos paraquedistas. Muitas outras vezes o espectro que dizem ser a alma do Alberto  foi visto próximo ao alojamento da área sempre equipado, com os tirantes apertados, arrastando o velame e com o ruído da estática do rádio ligado indo em direção ao barracão de dobragem. Até hoje ninguém sabe quem era o Alberto e como exatamente  ele morreu dentro daquele Cb, mas ele sempre continuou a perambular pelas noites escuras na área de pouso.

Just to make sure everybody understand: this is fiction.

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