Paraquedismo: o foco na segurança

Texto: Ricardo Pettená

Foto: Andey Veselov

Quase todas as pessoas entendem o que é dirigir um veículo defensivamente, mas a maioria não aplica esse conceito na prática, mesmo porque não foi treinada para isso e não sabe como fazer. O mesmo pode-se dizer do paraquedismo defensivo.

Fazendo uma analogia, para dirigir defensivamente, em primeiro lugar é preciso saber identificar quais são os perigos que normalmente motoristas não veem e não esperam. Por exemplo, um animal atravessando inesperadamente a estrada, uma criança que corre atrás de uma bola, um carro que atravessa o sinal logo depois que ficou vermelho.

Condutores de veículo, na maior parte das vezes irão acelerar assim que o sinal ficar verde para eles. Apenas aqueles que dirigem defensivamente estão sempre alertas para os erros que outros poderão cometer.

A direção defensiva exige que o carro esteja em boas condições, com freios revisados e pneus novos.

O motorista responsável e que dirige defensivamente não ultrapassa a velocidade, obedece a sinalização, usa cinto de segurança, coloca as duas mãos no volante, fica atento a tudo que está a sua volta, não se distrai falando ao celular, não se desconcentra com as crianças que estão dentro do carro, não se descuida ao pegar alguma coisa que caiu no chão do veículo. Essas são as principais causas de acidentes, portando o condutor defensivo mantém o foco o tempo todo.

Também faz parte do conceito de direção defensiva, fazer um treinamento de manobras defensivas, para poder frear e desviar de um obstáculo na pista em alta velocidade sem capotar o carro.

A direção defensiva exige foco. Muito se fala em foco, mas usar a palavra foco é bastante vago se não nos aprofundarmos no assunto. Se estamos focados, temos que estar focados em alguma coisa específica. No exemplo da direção defensiva, foco seria estarmos atentos a animais, crianças brincando na calçada, carros parados no acostamento, manter a distância do veículo à frente, bicicletas, motos, carros indo na mesma direção e vindo na direção contrária, ônibus, caminhões.

Caminhões longos, por exemplo: não devemos permanecer com o carro ao lado deles. Ou ultrapassamos ou ficamos atrás e bem afastados. Manter a distância é fundamental.

Além de tudo isso, precisamos olhar nos espelhos retrovisores o tempo todo, prestar atenção na sinalização, observar as condições do asfalto, se o trânsito está intenso, se a visibilidade está sendo afetada por neblina, chuva, fumaça, vidros sujos, se o sol está de frente e se está escuro. Também ficamos focados nas travessias de pontes, em acessos de entrada e saída da estrada, faixas de pedestres, semáforos, placas com o sinal “Pare” e carros mudando de faixa. Enfim, o ponto aqui é que, para dirigir defensivamente não podemos devanear, mas, ao contrário, temos que ficar pensando em tudo o que pode acontecer e tentar o tempo todo antecipar os perigos ocultos nas ruas e estradas.

No paraquedismo, usamos os mesmos princípios. Fazemos a prevenção com uso de bons equipamentos, manutenção e cheques antes do embarque e antes de saltar. Observamos a meteorologia, ventos, hora do salto, conhecemos os obstáculos e alternativas na área em que estamos saltando, bem como as regras específicas.

Fazemos treinamentos e conhecemos todos os riscos possíveis e os respectivos procedimentos de emergência.

Nos anos 90, eu sofri um acidente que nunca havia acontecido antes com ninguém, por isso eu não estava atento e nunca havia pensado em ficar ligado naquele tipo de perigo. Num dia de muito vento, fui obrigado a pousar fora da área num campo de futebol. Ao me aproximar, a 40 metros de altura as linhas do meu paraquedas foram cortadas por uma pipa com cerol. O velame que já era pequeno, fechou totalmente e o resultado foram 12 dias entubado em coma na UTI.

É fundamental para o sucesso dos saltos e para garantir a nossa segurança conhecermos os riscos, mantermos a atenção, estarmos focados nos perigos e sabermos responder de forma automática a qualquer emergência que possa ocorrer desde a decolagem até estarmos em terra firme novamente.

Portanto saiba quais são os perigos em cada etapa do salto e esteja focado com a atitude correta desde o embarque, durante a subida da aeronave, ao se aproximar da porta, na saída, em queda-livre, na hora do comando, durante o processo de abertura e, especialmente em toda a navegação, no pouso e, inclusive depois de estar no chão.

A sua segurança depende da sua atitude e foco.

2 comentários Adicione o seu

  1. Joe disse:

    Excelente texto Ricardo. Não sabia deste acidente sofrido por vc. Graças a Deus recuperou-se para estar transmitindo a todos sua experiência. Abraço.

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    1. Pois é, Joe. Foi em 1997, em Sorocaba. Obrigado pela mensagem. Grande abraço

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