Emergências no Paraquedismo – Parte 2

Por Ricardo Pettená       Foto de Andrey Veselov

Emergências no Paraquedismo – Parte 2

Na primeira parte deste artigo (Emergências no Paraquedismo – Parte 1) mostramos que temos espaço para aumentar a segurança dos saltos de paraquedas no Brasil, afinal de contas as estatísticas já comprovaram que com programas de segurança e prevenção é possível “zerar” os acidentes fatais. Também fizemos uma análise das emergências durante o voo da aeronave até a altitude de salto.

Alguns fatores que colaboram para que acidentes aconteçam são o excesso de confiança, a falta de iniciativa e o desconhecimento (ou o despreparo para executar o procedimento correto na hora certa).

O ego (ou vaidade) também é um fator contribuinte muito forte, quando o paraquedista pratica manobras ou salta com velames que estão além da sua capacidade, apenas para “mostrar”o quanto é bom perante os outros.

Para efeito de estudo, dividimos as emergências no paraquedismo em sete áreas de risco potencial e analisamos os problemas que podem acontecer durante o voo da aeronave na subida até a altitude de salto na parte 1 desta série. Nesta, vamos estudar os itens 2, 3 e 4 que são as emergências na saída, na queda-livre e no momento do comando da abertura do paraquedas.

  1. Dentro da aeronave, durante o voo
  2. No momento da saída
  3. Na queda-Livre
  4. Ao comandar a abertura do paraquedas
  5. Na abertura propriamente dita (ou na não abertura), incluindo panes, anormalidades e colisões
  6. Durante a navegação
  7. No pouso

 

Etapas do Salto - emergencias

EMERGÊNCIAS NA SAÍDA

A saída é dividida em 3 partes: posicionamento, lançamento e voo. Na hora do posicionamento o paraquedista deve tomar extremo cuidado para não esbarrar punhos e pinos e provocar uma abertura prematura. Caso o paraquedas comece a abrir do lado de fora do avião, a reação deve ser uma saída imediata. Mesmo assim poderá ocorrer de o velame passar sobre o estabilizar horizontal da cauda do avião e manter o paraquedista preso. Nesta situação é preciso manter a calma e checar qual paraquedas foi aberto, o principal ou o reserva. No Brasil um paraquedista que se encontrava preso na cauda do avião numa situação como esta, desconectou, porém o paraquedas que estava preso era o reserva que acabou rasgando e se desprendendo, caindo sem sustentação. Como ele havia desconectado o principal, ficou sem uma segunda alternativa. O desfecho foi fatal. Se estiver ancorado pelo principal, o procedimento é desconectar e comandar o reserva, mas se estiver preso pelo reserva, a solução é usar a hook knife para cortar as linhas. Eu costumo usar uma borrachinha de dobragem na hook knife pra prendê-la ao dedo caso necessite, pois nesta hora seria fatal deixar cair a sua única alternativa para se liberar do velame.

EMERGÊNCIAS DURANTE A QUEDA-LIVRE

Durante a queda-livre podemos nos deparar com algumas circunstâncias que exijam procedimentos especiais. Uma delas é a abertura fora de sequência (AFS), que é a abertura do container sem que o hand deploy tenha sido lançado, podendo resultar numa ferradura se a bolsa do velame subir. O procedimento aqui é o acionamento do hand deploy. O paraquedas piloto poderá enroscar nas linhas e provocar uma pane parcial, a qual deverá ser tratada como tal: procedimento de emergência.

Outro problema que pode acontecer na queda-livre é a colisão. Procure evitar este tipo de emergência aprendendo a ter total controle do corpo na queda-livre antes de saltar em grupo. A melhor forma para dominar o controle do corpo na queda é fazendo o treinamento de BBF (Basic Body Flight) com um treinador (coach). Para aprender free fly, procure um bom coach da modalidade. No entanto, se algum dia você perceber que irá colidir com alguém, se proteja colocando os braços na direção de onde virá o impacto e tente amortece-lo. Recentemente uma colisão em queda-livre tirou a vida de um paraquedista porque a câmera atingiu o pescoço da vítima. Câmeras devem ser evitadas até que o paraquedista saiba voar muito bem.

EMERGÊNCIAS NO COMANDO

Por último, temos os problemas que podem acontecer na hora de comandar o paraquedas. Fique claro aqui para efeito de estudo e melhor compreensão, que os problemas no comando são aqueles que acontecem antes do pilotinho (ou punho) ter sido acionado. Podemos citar 3 problemas nesta categoria: 1- o paraquedista não encontra o punho; 2- punho duro; 3- ombro direito deslocado.

Notem que o punho não foi acionado ainda, portanto é uma pane total e de alta velocidade. O paraquedista simplesmente está em queda-livre ainda. O tempo de chegada até o solo é de 10 a 12 segundos, dependendo da altura de comando, mas a questão mais crítica a ser considerada, é que na maior parte dos casos o paraquedista se distrai com o problema e perde a noção de tempo, que já é pouco. A recomendação é tentar apenas mais uma vez no caso de não encontrar o punho ou punho duro e comandar imediatamente o reserva. Alunos são instruídos a fazer o procedimento de emergência completo. Quando o problema é o de não encontrar o punho, coloque a mão no canto inferior direito do container e deslize a mão até o punho. Se o punho estiver duro, certifique-se que o que você está segurando é mesmo o punho e não alguma outra parte do container ou da roupa. Apoie o cotovelo no container para fazer uma alavanca e puxe com força. Nestes dois casos, se não obtiver êxito na primeira tentativa após a constatação do problema, comande o reserve.

O terceiro problema é o ombro do lado direito deslocado, impossibilitando o comando do paraquedas principal. O procedimento recomendado é comandar o reserva com a mão esquerda imediatamente.

Recomendamos que os alunos sempre façam os procedimentos conforme foram treinados e se tiverem dúvidas, devem procurar os seus instrutores.

Na continuação desta matéria falaremos sobre as panes totais de alta velocidade “pilot chute in tow” e o pilotinho enroscado em alguma parte do corpo, bem como as panes parciais de alta e baixa velocidade e as anormalidades.

 

Fale comigo: ricardo_pettena@hotmail.com

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